O case: chafariz de Ibitinga

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Por Vanessa Vieira,

chafariz IbitingaO assunto top-five das redes sociais de hoje é o chafariz de Ibitinga.

Ibitinga é uma cidade no interior do Estado de São Paulo, na 607ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano na comparação de 5565 cidades brasileiras (último estudo do PNUD e IPEA em 2013), ou seja, dentro das 11% melhores cidades em qualidade de vida no Brasil.

Em 2015, a prefeitura municipal resolveu revitalizar o chafariz localizado na praça Rui Barbosa.

O fato é que a imagem do chafariz antes e depois caiu nas graças dos internautas e a grande maioria passou a criticar o “mau gosto estético” da reforma. Algumas perguntas, caros leitores, para reflexão:

  • Mesmo de gosto duvidoso, não é melhor que o dinheiro arrecadado com os impostos seja antes colocado no chafariz da praça do que no bolso de alguém?
  • Mesmo que a restauração do chafariz não fosse prioritária (pensando sempre em investimentos em saúde e educação): isso não seria uma tentativa (mesmo que tenha sido frustrada) de manter um patrimônio desgastado pelo tempo?
  • Quantos daqueles que criticaram o chafariz participaram dos conselhos municipais/reuniões/fóruns participativos para definir as melhorias a serem implantadas na cidade?
  • Última pergunta: Quantos daqueles que criticaram, sabiam da existência desses conselhos municipais e do fato do cidadão ter espaço para expor sua opinião previamente?

O case “Chafariz de Ibitinga” mostra uma tendência brasileira: Ser reativo. Não exigir antes. Não questionar antes. Não acompanhar. Se reclamar, só depois, à distância.

Se num belo dia, nessas terras tropicais, essa tendência for superada e os conselhos municipais/estaduais/sessões da câmara dos vereadores e da assembleia legislativa não ficarem com cadeiras da plateia vazias, o Brasil poderá vivenciar o padrão norueguês/australiano/canadense de vida, com IDHs de respeito e chafarizes de bom gosto.

*Vanessa Vieira é pós-graduada do curso de Jornalismo Contemporâneo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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