O mistério na televisão na era da internet

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Eu tinha apenas 7 anos quando a primeira versão de “A Próxima Vítima”, de Sílvio de Abreu foi ao ar em 1995 na Rede Globo.

Apesar de ser uma criança na época fiquei fascinado quando o delegado Olavo, interpretado por Paulo Betti virou para o personagem Adalberto, de Cecil Thiré, e o prendeu pelos assassinatos que entrelaçavam a trama.

Lembro-me que naquela época fiz até um bolão entre os vizinhos para tentarmos acertar quem era o responsável pelas mortes que pararam o país. Eu tinha até um suspeito: o Zé Bolacha, do ótimo Lima Duarte.

Talvez tenha sido aquele roteiro primoroso e aquela história que fizeram com que novela fosse um dos meus temas preferidos.

Acredito que o fim surpreendente também seja um dos motivos que fizeram de “A Próxima Vítima”, a meu ver, uma das melhores novelas já apresentadas e aquela que mereça um remake da Rede Globo o quanto antes.

Esta introdução serve para discutir a relação da internet com os mistérios propostos pelas novelas. Acredito que o sucesso de “A Próxima Vítima”, em 1995, está diretamente ligado ao suspense bem torno do assassino e mais do que isso, como as mortes estavam relacionadas.

Discípulo de Sílvio de Abreu, Daniel Ortiz, autor de Alto Astral, novela das sete encerrada na últimas sexta, criou uma trama envolvendo o mistério sobre quem seria a mãe biológica da protagonista interpretada por Nathália Dill.

Ao longo da história, Ortiz foi dando pistas e montando um verdadeiro quebra-cabeças com possíveis mulheres que poderiam ser a progenitora de Laura.
Somente no antepenúltimo capítulo da novela, o público descobriu que a personagem era filha de Maria Inês (Christiane Torloni) e Marcelo (Edson Celulari), personagens que foram separados no passado por causa do amor doentio de Úrsula (Silvia Pfeifer).

Maria Ines e Laura Alto Astral Divulgacao

Essa revelação só foi noticiada na rede, na manhã da quarta-feira (ao menos, este blogueiro não viu a informação antes e ao consultar a internet sobre o assunto só encontrou registros no dia em que a cena foi ao ar).

Começa aqui a discussão deste post: será possível na atual dinâmica da rede construir um enredo no qual um grande segredo como em “A Próxima Vítima” seja mantido até o momento da exibição na televisão? Será que a convergência de mídias poderia ser usada para ajudar a trama e valorizar o produto na televisão que é o seu principal canal de veiculação? Como evitar vazamentos de informações dentro da própria equipe?

Essas são questões que ficam abertas para que os especialistas de plantão possam nos ajudar.

Em tempos, onde novelas alteram a personalidade dos personagens no decorrer da história pensando nos índices de audiência – vide o exemplo da Alice de Sophie Charlote em “Babilônia” – ver um desfecho para o caso da maternidade de Laura foi uma agradável surpresa.

Primeiro por que o autor fugiu do óbvio: as possíveis mães Tina e Adriana tinham motivos que já haviam sido apresentados.

Colocar Maria Inês como mãe explicou o motivo da mesma ter adotado duas crianças, pois não podia ter filhos naturais e mostrou que desde o passado Úrsula sempre foi a vilã da trama, sem alterar e desviar personalidades.

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